A história da hipnose pode ser identificada, de certa forma, com a história da humanidade, pois as condutas mágicas desde os primórdios da civilização eram elementos sugestivos de cura e alívio das doenças. Dentro da lenda é considerado como tendo sido um sono hipnótico aquele a que Adão foi submetido quando, então, o Senhor lhe retirou uma costela.
Seguramente, pelo menos, sabemos que as práticas hipniátricas eram observadas há 2.400 anos A.C. na Índia e na Caldéia. Muitas práticas ainda hoje observadas entre os faquires e ioguis podem ser consideradas como herança cultural dos seus mais antigos ancestrais. Os ioguis desde há muitos séculos se exercitavam na contenção da respiração e na fixação constante do olhar na extremidade do nariz, exercícios ainda hoje usuais (Dhâranâ = fixação imutável do espírito em um objeto). "Os faquires e ioguis praticam o hipnotismo a título de devoção, tentando, assim, unificar-se com Deus em uma espécie de êxtase. Fixam por algum tempo a ponta do nariz, em seguida caem em catalepsia e, então, maravilham a multidão com as atitudes extraordinárias que matêm por tempo indeterminado".
Os persas também induziam a auto-hipnose pela fixação contínua do olhar na ponta do nariz.
No 18º século A.C., na China, já era praticado o transe hipnótico. Neste transe o indivíduo procurava entrar em comunicação com os mortos; desencadeavam-se movimento convulsivos dos membros e da face, e outras manifestações, após a indução por meio de músicas e danças. As profetizas se auto-hipnotizavam, durante as cerimônias e exorcismos, em que atuavam instrumentos musicais de cordas e sopros (flautas de bambú), e o êxtase religioso era levado ao mais intenso grau.
Os medas e os caldeos mantiveram também práticas hipniátricas, conforme descrição lida por
F. Lenormant em monumentos providos de caracteres cuneiformes. Assim, na Caldéia, os chamados videntes eram possuidores do dom da segunda vista, pelo fato de dormirem em certos templos.
W. St. Clad Boscawen descreve algumas interessantes passagens que ele encontrou na leitura de inscrições cuneiformes da antiga Babilônia. Ele descreve uma passagemde um médico-sacerdote visitando um doente e fazendo-lhe passes. Este fato ficou corroborado pela descoberta posterior de uma escultura, em que uma divindade é vista fazendo passes às costas de um doente.
Em verdade, magia, religião e medicina eram difíceis de serem separadas, pos que, em geral, eram exercidas por um mesmo alto dignatário religioso que dispunha daqueles grandes poderes.
Segundo
Mons. Le Roy, entende-se por magia,
"a arte de por a seu serviço, mediante práticas ocultas e de aspecto mais ou menos religioso, as forças da natureza ou de captar influências do mundo invisível". Com isto, tudo está dito sobre o porque do enfeixamento daqueles três poderes nas mãos de um sacerdote-médico. Assim, as práticas ocultas, mágicas, eram também "de aspecto mais ou menos religioso" e as "influências do mundo invisível", atuando muitas vezes nas doenças, eram aquelas das práticas hipniátricas que, para os povos antigos se deviam à causas divinas.
Técnicas hipno-sugestivas semelhantes às usadas ainda hoje eram conhecidas no antigo Egito. Assim, o papiro de Tebas, descoberto por Ebers, datando de 1552 A.C., nos transmite esta verdade. Este papiro, descoberto nas ruínas de Tebas, nos revela a seguinte prescrição:

"Para abrandar a dor, ponha as mãos sobre a pessoa (doente) e diga que a dor vai desaparecer". Um baixo relevo retirado de antiga tumba de Tebas, nos mostra um sacerdote-médico no momento de hipnotizar um doente. Durante o estado hipnótico, sugestões curativas eram dadas aos sofredores.
Os "templos do sono" eram instituições religiosas de muito grande prestígio no Egito antigo. Eram neste templos que os doentes iam dormir para terem sonhos que lhes davam revelações de Deuses. Os templos de Serapis e de Osiris eram de bastante prestígio. As curas extraordinárias, maravilhosas, neles obtidas, na verdade eram efeito das sugestões hipnóticas. Isto nos é revelado pelo papiro de mais de 3.000 anos de idade traduzido em 1860 por Chabas. A magia e a religião andavam irmanadas com as práticas hipniátricas, conforme nos revela Orígenes, ao afirmar que os sacerdotes egípcios "expeliam os demônios do corpo dos homens, curavam as moléstias pelo sopro (morbus exsufflantes), evocavam as almas dos heróis, faziam aparecer mesas carregadas de excelentes iguarias, apesar de nada haver nisso de real, e faziam mover animais que não existiam, pois eram simples fantasmaas". Aurélio Cornélio Celso (ou simplesme, Celso), famoso médico e escritor romano do 1º século de nossa era, refere que desde tempos imemoriais existia no Egito certa classe de pessoas que curavam por meio do tato e do sopro certas enfermidades. Diodoro da Sicília, contemporâneo de Cesar, morto no começo da era cristão, dizia que os sacerdotes do templo de Isis adormeciam a certas jovens e, durante o sono, elas se tornavam hipnopatas, isto é, ficavam possuídas da capacidade de ver nos doentes a causa de suas doenças e de indicar o tratamento necessário.
Mesmo no século passado, até nossos dias, o transe extático tem se desenvolvido de modo proeminente na vida egipciana, podendo-se considerar a prática deste transes como uma parcela da herança cultural daquela gente. Assim os fanáticos que segem tais práticas têm sido conhecidos como "derviches giradores" ou "rodopiadores".
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Como Hipnotizar Alguém - passo a passo